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Fórum de Energia de África 2017 – Uma grande oportunidade para empresas fora da rede pública de energia brilharem

Conforme a maioria dos delegados lhe irá dizer, o motivo principal para participar no Fórum de Energia de África (AEF) é o networking. No evento do ano passado, foi atingido um valor de negócios de 2 mil milhões de dólares dos EUA e no passado em geral, os negócios giravam principalmente em torno de grandes projectos de centrais eléctricas obtidos por grandes empresas no mercado. Mas existe um participante emergente no sector da energia que se espera que venha a obter alguns negócios importantes este ano: os fornecedores de energia fora da rede pública.

A energia de “fora da rede pública” não é incomum em África. Existem bastantes probabilidades de que o hotel em que se hospedou quando visitou o continente tinha a sua própria produção de energia de reserva. Qualquer pessoa que tenha estado em alguns dos maiores centros comerciais da Nigéria, provavelmente lhe dirá que o centro comercial tem alguns geradores a gasóleo a fazerem barulho nas traseiras, caso a rede pública de abastecimento de energia seja forçada a cortar a energia.

Mike Peo, um banqueiro de investimentos, é um dos escritores apresentados no website do AEF: “África não possui a energia que necessita para manter e aumentar o ímpeto da sua conjuntura. Há muitos motivos para isso, incluindo uma histórica falta de investimento em energia, realizada tanto por África como para África. Além disso, a falta generalizada de acesso ao carvão em grande parte do continente e, possivelmente o mais significativo factor sendo os elevados custos proibitivos da distribuição de energia de vasts extensão para chegar às muitas comunidades rurais e aldeias que caracterizam grande parte da paisagem africana.”

A última afirmação de Peo demonstra que é especificamente revelador o motivo pelo qual devem ser adoptadas as soluções energéticas fora da rede pública, em vez que continuarem a ser um segredo sujo. África é um continente vasto e geograficamente diversificado, com a maioria da sua população a viver em comunidades rurais e isoladas. No Ruanda, um dos países em vias de desenvolvimento mais bem-sucedido de África, 91% da população rural não tinha acesso à energia em 2014, na República Democrática de Congo o acesso à energia ainda não atingiu 1%. Mesmo com recursos suficientes para alimentar as centrais eléctricas, a penetração em muitas dessas áreas remotas é impossível, ou financeiramente irracional. Assim, soluções de energia sustentáveis e fora da rede tornam-se uma alternativa viável, especialmente porque muitas destas aglomerações estão localizadas perto de potenciais fontes de energia – nomeadamente o sol e a água.

Este é o motivo pelo qual o AEF 2017 voltará a ver o sucesso do ano passado da ‘Off the Grid Village’ [Aldeia fora da rede pública de energia], um centro de ligação em rede que age como um acelerador de negócios orientados para o acesso à energia e à comunidade fora da rede pública de energia. Proporcionará aos governos e investidores a oportunidade de conhecerem representantes de um sector que possui algumas das mais revolucionárias invenções de África dos últimos anos. Estes dispositivos incluem os famosos painéis solares de pagamento por utilização, que avançam agora rapidamente para além da iluminação e do carregamento do telefone. A energia hídrica, geralmente uma fonte popular para energia da rede pública, também se está a adaptar. O governo do Gana está actualmente a explorar a possibilidade de usar lagos como grandes baterias, para comunidades distantes em redor do Lago Volta.

Além da aldeia, o fórum também contará com uma série de seminários focados especificamente em oportunidades de financiamento e desenvolvimento de soluções de energia “fora da rede pública” com representantes de energia de alto nível de governos, instituições públicas e do sector privado. Finalmente, a Tanzânia será a sede da segunda Cimeira Fora da Rede Pública de Energia do AEF com uma mesa-redonda a realizar em Janeiro de 2018 em conjunto com a ONU.

O crescimento rápido das cidades africanas e o seu papel central nas economias significa que os projectos de energia eléctrica em rede continuarão a ser a principal questão em Copenhaga. No entanto, está fora de dúvida de que a energia fora da rede pública se está a tornar uma fonte de investimento cada vez maior.

Existe também um outro motivo pelo qual esta fonte de energia pode ser um suplemento importante para a AEF. Desde a crise migratória de 2015, os governos europeus prometeram grandes quantias de dinheiro para assegurar o sucesso do desenvolvimento de África. De facto, as instituições de financiamento para o desenvolvimento foram anunciadas como o tema central da conferência deste ano e estarão presentes em várias mesas redondas. Com os sistemas de energia fora da rede pública considerados vitais na solução de problemas de ligação dentro do contexto de energia-alimentação-água, três sistemas fundamentais que são centrais para o bem-estar humano, é susceptível que essas agências os promovam. A energia fora da rede pública apresenta não apenas uma solução rápida para o problema de infra-estruturas, mas também uma ajuda bem-vinda para alcançar metas de desenvolvimento sustentável. À luz destes factos, podemos esperar que a energia fora da rede pública seja a ilustre desconhecida deste ano, talvez sendo o avanço surpreendente para fontes de energia alternativas?

Por Thomas McEnchroe, Djembe Communications